Diario do Seu Joao

Um lugar pra divagar sobre qualquer coisa.

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Arquivo de: Abril 2007

26.04.07

A volta da Censura?

          E essa briga agora sobre a classificação etária dos programas de TV? Cêis viram que coisa? Uns dizendo que estão defendendo a integridade dos jovens e adolescentes, os outros pirando reclamando que é a volta da censura, o que alias, eu morro de medo.
          Pra quem ainda não sabe ou não entendeu a coisa toda, na verdade é bem simples. O governo estabelece, segundo regras, para que idade cada programa de televisão é adequado, dependendo do conteúdo do programa, pode ser indicado para maiores de 14 anos, ou livre, ou só para adultos, etc.
          Até ai, tudo bem, mas depois, ele(o governo) também estabelece que horário pode passar cada programa, para maiores de 14 anos só depois das 21:00, para adultos só depois das 00:00, livre, qualquer hora, etc. Assim, programas mais “pesados” passando mais tarde, as crianças menores não assistiriam, pois já estariam dormindo.
          E é ai que as TV´s brigam, se uma novela for classificada como para maiores de 14 anos, só pode passar as 21:00, e elas(as TV´s) tem que ajustar sua programação segundo as regras do governo.
          O governo diz que faz isso para evitar expor crianças e adolescentes a cenas e conteúdos que possam ser prejudiciais, emocionalmente e psicologicamente a essas cabecinhas em formação. ( http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u70622.shtml )
          As Tv´s, alegam que bastaria apenas a classificação etária(por idade), sem a necessidade de fixar um horário para passar o programa, e os pais, verificando a classificação, decidiriam se os filhos devem ou não assistir ao programa. Isso significa dizer, por exemplo, que um programa com cenas de sexo explicito, classificado só para adultos, poderia passar as 9:00 horas da manhã, os pais veriam que o programa é só para adultos e mudariam de canal, não deixando a criança assistir. ( http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u70617.shtml )
          É claro que nenhuma estação de TV aberta chegaria ao cumulo de passar pornografia as 9:00h, mas é certo que elas não concordam com os horários de classificação do governo, pois se concordassem, não haveria discussão, então é obvio que elas querem passar conteúdos mais “fortes” em horários diferentes.
          A briga então é essa, enquanto o governo afirma defender as crianças e os adolescentes, as TV´s reclamam de censura. Quem será que está certo?
          Bem, de fato, podemos dizer que é muito bom ter o poder de decisão, oras, se eu sou avisado que o programa é indicado para maiores de 14 anos e meu filho tem só 8, basta mudar de canal. Todos os canais estão passando programação inadequada? Desliga a TV e vai escutar musica. As musicas também estão inadequadas? Desliga tudo e vai ler um livro, jogar uma bola, correr no parque.
          A decisão do que assistir e quando assistir é minha, eu posso desligar a TV quando quiser, trocar de canal. Afinal, as redes de TV vivem de ibope, então seria um acerto entre o publico e a TV, se ninguém assistir, elas teriam que mudar a programação, isso faria com que o publico decidisse qual melhor horário para cada programa, de forma democrática. Se ninguém assistir um filme pornográfico as 9:00, ele mudaria de horário até achar um que teria audiência.
          Essa parece a solução ideal, bem moderninha, contra a ditadura, dar direito ao povo, fora censura e assim por diante. Mas será mesmo verdade? Será que esse modelo funciona?
          Na minha opinião, pode até funcionar, mas não nesse planeta. Veja, para que algo assim funcione, se presume que exista na casa a figura do regulador, o pai, mãe ou responsável que indicaria o que a criança pode ou não pode ver.
          Se um dos pais, ou mesmo um responsável, pudesse acompanhar a criança o tempo todo que ela estivesse livre, conversando, explicando e comentando o que ela está assistindo, para que essa criança tivesse uma visão mais critica da informação que está recebendo, seria ótimo! E quando aparecesse uma indicação, ou algo que esse responsável achasse inadequado, era só tomar as atitudes sugeridas.
          Infelizmente, essa situação ideal só pode ser experimentada por uma minoria, a realidade, não só do Brasil, é bem diferente. A grande maioria da população, quando tem dois pais em casa, os dois precisam trabalhar para sustentar a família. E ai, o filho, quando não está na escola(se é que vai para a escola), fica em casa de um parente, ou com alguém em casa, mas que não tem a função única e exclusiva de educar a criança, as vezes uma empregada ou ajudante que os pais contratam para cuidar da casa e de quebra ajudam a olhar o filho.
          Isso sem falar nas inúmeras crianças que ficam sem ninguém em casa, que possa analisar criticamente a programação e assistem o que estiver passando na TV, e até gostariam de ver coisas “inadequadas”, como todo adolescentes, mas sem nenhum critério.
          As redes de TV´s parecem que ignoram isso, ignoram o seu publico alvo, imaginam uma utopia. É claro, que se não vivemos essa utopia, grande culpa é do próprio governo, se as crianças não podem ser educadas por um dos pais, porque os dois tem que trabalhar, se a educação que recebem é tão ruim que não conseguem ser criticas, se não existe atividades para ocupar o tempo e tem que ficar na frente da TV, esses e muitos outros problemas também tem uma grande parcela de culpa do governo.
          Mas as TV´s não podem simplesmente querer estabelecer uma situação que seria ideal, e depois culpar os pais ou o governo porque ela não funciona. Infelizmente, nem sempre podemos implementar o ideal. A política do governo tem que visar o melhor para a maioria, e nesse caso, impedir que conteúdo impróprio apareça em horários em que crianças estão expostas, é talvez a única solução.
          No entanto, não gostaria que fosse ela definitiva, gostaria na verdade de ver implementada a solução ideal. Neste caso, o governo deveria, além de estabelecer o horário, trabalhar nas outras frentes, educação, emprego, qualidade de vida, para que um dia a coisa mudasse e pudéssemos então ser capazes de escolher o que assistir.
          Eu chego a conclusão, que ambos “combatentes” estão certos, o ideal seria implementar um modelo sugerido pelas redes de TV´s, mas como isso ainda não é possível, deve-se ter o modelo do governo. Que não deve ficar parado e trabalhar para que a população seja capaz de aplicar o modelo proposto pelas TV´s. Se bem que algumas vezes eu penso, que acreditar que o governo vá um dia melhorara a qualidade de vida da população, parece ser mais utópico que a proposta das TV´s...

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  • Postado em 19:08:23

16.04.07

E sobre o Aborto.

          Hoje deu vontade de falar de uma coisa seria, que não para de sair em vários meios de comunicação, o tal do Aborto. Desde sua legalização ou não, até a diferenciação entre o que é um ser humano ou o que é um amontoado de células, esses temas geram enorme polemica.
          E como não poderia deixar de ser, sempre que existe algo polemico, a discussão se polariza entre as duas extremidades da questão. No caso, a briga entre aqueles que acham que o aborto deve ser livre e aqueles que acham que deve ser proibido. Sem querer parecer pretensioso, eu pretendo fazer aqui uma analise mais aberta, menos preconceituosa e mais centrada sobre o tema, vejamos se consigo.
          Devo confessar, no entanto, que é algo muito difícil pra mim, pois me pega em uma situação entre duas facetas da minha personalidade. Ao mesmo tempo que considero qualquer tipo de vida importante; desde uma formiga até um ser humano, pra mim não há diferença em importância; eu também tenho que me render ao conhecimento cientifico e aceitar que uma óvulo recém fecundado não guarda muita diferença de qualquer outra célula do nosso corpo.
          Resolver esse dilema pessoal é o que eu pretendo demonstrar aqui, e assim ajudar a mostrar minha opinião. Sigo como base a máxima que diz que a verdade nunca está nos extremos da discussão, deve encontrar-se sempre num ponto entre eles.
          Então, numa ponta da corda, quando alguém diz que o Aborto deveria ser legalizado, porque a mulher tem o direito de escolher se ela quer ou não ter o filho, se aquele momento é o melhor ou não para ter o filho, que ela é dona de seu corpo e tem direito de decidir. Isso muito me assombra.
          Se tomarmos isso como verdade, qual é a diferença entre abortar um feto de 6 meses ou matar uma criança de 6 meses? Se 6 meses depois do parto a mulher achar que não é hora de ter uma criança, ou se essa criança vai “atrapalhar a vida dela”, a mãe tem o direito de matá-la?
          Parece horrível imaginar uma mãe que mate uma criança de 6 meses apenas por motivos particulares, mas qual a diferença em abortar um feto de 6 meses? A única diferença é que você nunca viu o rosto do feto, não pegou ele no colo, não amamentou, não interagiu com ele, não percebeu sua existência. Então, simplesmente fazê-lo sumir como se nunca tivesse existido, é mais simples, menos pessoal. 
          Mas esse feto é tão especial quanto a criança, não tem diferença, apenas teve menos estímulos, pois ainda está dentro da mãe, mas entende, escuta, sente e tudo mais. Então, abortar por interesses pessoais, quer sejam financeiros, emocionais, ou qualquer outro, pra mim é assassinato.
          Isso significaria que eu seja contra o Aborto? Não necessariamente, existem casos é claro, e que hoje mesmo são permitidos, que penso que o Aborto seria uma opção valida, nem por isso menos chocante, mas valida.
          Casos aonde a mãe corre risco considerável de vida, ou quando a criança não tem condições de sobreviver ao parto. No primeiro caso, é uma situação muito particular, entre a vida e a morte de duas pessoas, a mãe e o filho. E essa decisão, quem vai ter chance de viver ou morrer, cabe a família tomar. Se quiserem arriscar a vida da mãe para salvar o filho, ou se quiserem arriscar a vida do filho para salvar a mãe, a família tem que tomar a decisão e viver com ela, mas ai acredito ser aceitável o Aborto.
          No segundo caso, já que não existe possibilidade de vida após o parto, levar uma gravidez até o final, para apenas ver o filho morto, não me parece ter muito sentido, então, terminar a gravidez também acredito ser aceitável.
          Já na outra ponta desta corda, existem aqueles que dizem que assim que um óvulo é fecundado, não se pode mais removê-lo do útero, pois o ser humano já está presente ali. Bem, aqui entra o meu lado cientifico, que me faz obrigatoriamente questionar essas informações.
          Sabemos há muito tempo como ocorre a fecundação, já está distante a época em que acreditávamos que o homem inseria no útero da mulher um ser humano pronto, que só precisava crescer. Sabemos que no primeiro estagio o óvulo fecundado apenas começa a divisão celular, esse amontoado de células ainda não possui definição especifica, apenas está em criação a estrutura física que irá dar origem a um(ou mais no caso de gêmeos uni vitelinos) ser humano.
          Porém, neste momento, as células que estão se multiplicando em nada se diferem de qualquer outra célula que existe no nosso organismo, apenas estão programadas para gerar um feto, mas ainda não são o feto. Acreditar que nelas existe algo mais, seria o mesmo que acreditar que todo espermatozóide ou óvulo carregam “meio ser humano”, e isso implicaria em dizer que toda mulher mata “meio ser humano” por mês e que cada relação sexual que gere ou não uma gravidez, são mortos milhares de “meio seres humanos” nos espermatozóides desperdiçados.
          Estas células que estão começando sua divisão rumo a construção do feto, tem tanta consciência, ou ciência do mundo, quanto as células do seu cabelo, unhas, lagrimas, sangue. Quando perdemos estas células, não achamos que estamos matando um ser humano e dentro delas existe o mesmo DNA que é utilizado na formação do feto, tanto que podemos criar um clone a partir de qualquer célula do corpo, só que não é função delas criar o feto e sim dos gametas. Esta é a única diferença.
          Da mesma forma que não se pode dizer que matar um feto formado e consciente é algo normal, também não podemos dizer que impedir que a divisão celular continue até chegar ao feto, seja matar um ser humano, ainda não existe nada ali além de células.
          Tendo analisado esses dois extremos, eu chegaria a conclusão que o melhor para o Aborto e que não houvesse a necessidade de existir. Sim, a melhor coisa seria que se você não quiser ter um filho, simplesmente evite ter o filho.
          Falando exclusivamente de gravidez, sem entrar no mérito das DST´s, existem vários métodos contraceptivos disponíveis, mesmo para os mais carentes, de preservativos a pílulas, de DIU a cirurgias.
          E como ultimo recurso, caso por um motivo ou outro ocorra uma falha na prevenção, no dia seguinte pode-se tomar ainda a “pílula do dia seguinte”, apesar de muitos chamarem de pílula abortiva, ela apenas impede que o óvulo fecundado continue florescendo(evitando que ele se prenda ao útero), não mata um feto pois ele ainda não existe.
          Então antes de pensar em liberar o aborto para gravidez indesejada, o mais correto seria investir cada vez mais para que essa gravidez nunca ocorra. Com informação e conscientização, engravidar e depois de 3, 4 meses se arrepender e terminar com uma vida, não parecer ser algo justo. Justo seria as pessoas poderem escolher exatamente quando querem ter seus filhos, sem a necessidade que fetos inocentes paguem pelos erros.
          Concluindo, considerando que Aborto seria apenas a morte de um feto consciente, neste caso eu sou totalmente contra. Impedir que um óvulo fecundado se torne um feto, um recurso em última instancia. O mais correto, que não existisse motivo algum para interromper uma gravidez, que gravidez indesejada fosse quase nula.

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  • Postado em 20:47:44

10.04.07

Estranha Ciência

          É, eu sei, todo mundo que me conhece sabe que sou fanático pela ciência, ou melhor, fanático não que remete a fé, digamos então, que eu prefira por a ciência na frente da fé, a não ser quando a primeira confirma a segunda. :-) Mas isso nem de longe quer dizer que eu considere a ciência perfeita, muito pelo contrario, ela pode ser tão falha quanto a fé, mas diferente desta, aceita ser corrigida, e é corrigida, com maior facilidade.
          Bom, mas não é bem para defender a ciência que estou escrevendo hoje, vou deixar isso para outro dia que é muito mais complexo, hoje quero falar como a ciência também tem suas esquisitices e alguns poderão até mesmo dizer, inutilidades.
          Quando tentamos explicar algo cientificamente, é comum reduzirmos a explicação a uma equação, ou seja, um cálculo que explica a observação analisada. Assim temos desde a explicação de Einstein que a matéria acelerada a velocidade da luz ao quadrado se transforma em energia, a famosa E=m.c², que é de extrema importância cientifica. Até a mais nova formula que encontrei hoje (http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI1538671-EI8147,00.html) :
          N = C + {fb (cm) . fb (tc)} + fb (Ts) + fc . ta
          Eu juro que entendo com mais facilidade a teoria da relatividade, mas enfim, essa sopa de letrinhas ai significa o seguinte, N é a força em newtons necessária para quebrar o bacon cozido, fb é o tipo de bacon, fc é o tempero, Ts é o tempo em que o sanduíche é servido, tc é o tempo de cozimento, ta é o tempo de duração da aplicação do tempero, cm é o método de cozimento e C é a força necessária em newtons para quebrar o bacon cru.
          Sim meus amigos, é a formula para produzir um sanduíche de bacon perfeito, agora, as lanchonetes que quiserem agradar seus clientes, antes de começar a prepará-los terão que resolver a formula matemática primeiro. Já estou até imaginando o seu Manoel da padaria da esquina gritando na cozinha com a Maria:
          “O fb desse bacon está muito baixo, troca pelo fb 10!”, “Testa o bacon ai no Newtometro pra ver se o C está no ponto”, “Olha lá pra não passar do tc como ontem!”, “Corre que o Ts ta esgotando!”. Satisfação garantida(N) ou culpe o erro de calculo do seu Manoel da padaria! :-)
          Ta, isso deve sim ter lá alguma relevância para a humanidade, afinal, foi resultado de mil horas de trabalho de quatro cientistas e imagino quantos sanduíches de bacon poderiam ter sido comprados com o custo do projeto, então alguma importância deve ter, nem que seja para oferecer uma sensação de prazer maximizada ao consumidor.
          Muito mais relevante que tentar descobrir porque o papel de bala faz barulho quando é aberto, ou a relação entre o deslocamento da cauda dos peixes e os terremotos no Japão, duas outras pesquisas cientificas que já me chamaram a atenção.
          Enfim, defender algo não é mostrar apenas os acertos e esconder os absurdos, defendo a ciência sim, mas não posso deixar de me surpreender com algumas coisas um tanto bizarras. Eu, particularmente, acho essa pesquisa desnecessária, mas felizmente, vivemos em um mundo aonde existe uma grande diversidade. Alguns acham um absurdo eu acreditar em ET´s e gastar meu tempo pesquisando a possibilidade de existência deles, eu acho um absurdo gastar dinheiro para pesquisar o sanduíche perfeito, e assim caminha a humanidade.

  • criado por  PRA criado por PRA
  • Postado em 19:13:04