Diario do Seu Joao

Um lugar pra divagar sobre qualquer coisa.

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14.06.07

Eu gosto

          Hoje eu estou num daqueles dias pensativos, acho que todo mundo tem épocas assim né? Momentos em que acontecimentos recentes forçam a gente a pensar, pensar e tentar entender o que não pode ser compreendido. E olha que eu não estou falando da mente feminina! Isso acho que não se pode nem cogitar descobrir, o que na verdade é até bom. Mas algumas coisas perturbam minha cabeça.
          O que faz a gente gostar ou desgostar de algo ou alguém? Parece simples isso né? É comum dizer que gosto cada um tem o seu, uns gostam de amarelo e outros de verde, uns gostam de rock outros de pagode. Será que é um simples ato de escolha?
          Ou seria algo mais complexo? Será que nossos gostos não são condicionados pelas nossas experiências mais do que algo aleatório? Mas não o simples fato de ter contato com sua opção desde pequeno, não é o fato de alguém escutar rock desde pequeno, porque seus pais também escutam, que essa criança será um roqueiro.
          A coisa é um pouco mais complexa, tem a ver com o que essa coisa nos passa, o que o rock passa para essa criança? Se ela tiver uma relação legal com seus pais, vai achar que tudo relacionado a eles é legal e vai gostar também, se no entanto ela não é feliz com seus pais, muito possivelmente passará esse sentimento ao rock, que lembra muito os pais.
          Então, gostar ou não gostar tem a ver com que sentimentos estão envolvidos quando se tem contato com o objeto de escolha, gostamos ou não gostamos pela resposta sentimental que a coisa nos proporciona, e esta resposta ta mais ligada ao contesto de quando tivermos esse contato, do que com a coisa em si.
          Seria certo dizer então, que nós não gostamos ou desgostamos das coisas ou pessoas, e sim gostamos ou desgostamos do que essas coisas ou pessoas representam pra nós, que sentimento elas passam e como nos sentimos em contato com elas. Não tem nada a ver com o rock ser melhor ou pior que o pagode, mas sim que o rock me transmite sentimentos que o pagode não transmitiu.
          Então, você fez sua opção com tempo, foi considerando o rock melhor que pagode, era mais gostoso escutar rock, se sentia melhor ao lado das pessoas que escutavam rock e foi virando um roqueiro. Isso pode mudar? Depois de muito tempo considerando que o rock lhe transmitiu sentimentos bons, pode você de repente deixar de gostar de rock?
          Será que é possível que um dia, outra opção lhe traga um conforto sentimental melhor? Novamente, tudo depende de sua experiência, os caminhos que sua vida vai tomando, da mesma forma que no passado o rock foi sendo associado a coisas boas, em algum momento você pode começar a associá-lo a sentimentos ruins, ele pode estar presente em momentos ruins, as suas amizades no meio roqueiro não estarem te satisfazendo.
          Aí, alguma outra coisa vai te trazer mais conforto, um daí você sai com uma galera que curti pagode, se sente bem de uma forma que a muito não se sentia com a galera do rock, e começa a preferir eles, o pagode passa a lhe representar sentimentos mais felizes, os mesmos que o rock te despertava no passado.
          O rock não mudou, o pagode não mudou, nenhum ficou melhor ou pior que o outro, mas sem perceber, você foi virando um pagodeiro, não porque agora odeia rock, mas porque o pagode te faz sentir melhor, fazendo seu gosto mudar.
          E as pessoas? Também escolhemos assim? Será que nos aproximamos e começamos a gostar das pessoas pelo sentimento que elas nos passam, pelas emoções que elas transmitem? E podem elas também deixar de ser atraentes se o que nos transmitem mudar?
          Que coisa, gostar e não gostar parece ser algo muito complexo então? E você, o que te faz gostar ou não gostar de alguma coisa? Tem uma opinião diferente? Escreva ai nos comentários, vamos ver se existe algum consenso. De qualquer forma, espero que tenham gostado do que escrevi. ;-)
  • criado por  PRA criado por PRA
  • Postado em 14:34:16

03.06.07

Os links

          Conforme prometido no post anterior, segue o link para meu texto:

          http://paginas.terra.com.br/relacionamento/cruel/acreditar.doc

          Esse está na minha pagina pessoal, mas também foi publicada na Revista UFO 130 ( http://www.ufo.com.br/index.php?arquivo=notComp.php&id=2674 ), quem quiser comprar, a materia está melhor formatada com uma ajuda dos editores :-)

  • criado por  PRA criado por PRA
  • Postado em 00:11:27

01.06.07

Eu tenho certeza

          Deu vontade de falar de uma coisinha mais amena hoje, tava devendo isso faz algum tempo é verdade, desde o meu breve comentário sobre Ufologia em um post anterior, mas estava esperando um momento mais adequado para abordar o assunto. E acho, que com a enxurrada de noticias de novos planetas sendo descobertos recentemente, esse momento já é mais que adequado. :-)
          Bem, não que hoje eu vá falar diretamente de Ufologia, mas vou falar um pouco sobre nossas certezas e nosso conhecimento, começo então me apropriando de uma frase dita por um personagem fictício, de um filme de Ficção cientifica, o Agente K de Homens de Preto:
          “Há mil anos atrás todo mundo sabia, tinha certeza, que a Terra era o centro do universo... Há quinhentos anos atrás, eles podiam jurar, tinham certeza que a Terra era plana. Há quinze minutos atrás, você tinha certeza que nós humanos, estávamos sozinhos nela. Imagine que certezas terá amanhã."
          Não, não existe nenhuma certeza cientifica que alienígenas vivam entre nós, pelo menos não da forma como visto em filmes, na melhor das hipóteses, algum organismo unicelular ou cadeias de DNA vindos em um cometa ou asteróide. Mas as outras questões são reais e nos fazem pensar.
          Há coisa de uns 100 anos atrás, talvez um pouco mais, a grande maioria dos cientistas tinha certeza que o nosso sistema solar era único, uma raridade no Universo, talvez uma criação divina, seria até mesmo raro existir planetas, o que chamavam de uma excentricidade, a regra eram apenas estrelas. Há 50 anos atrás, a maioria dos cientistas tinha certeza que sistemas planetários existiam, mas igual ao nosso, que contivesse um planeta rochoso com água, seria raro. Hoje a grande maioria dos cientistas tem certeza que em menos de 5 anos, estaremos catalogando diversos planetas idênticos a Terra.
          Há menos de 200 anos, todos tinham certeza que a Terra era o único lugar do universo que abriga vida. Há uns 20 anos atrás, tinham certeza que a vida poderia surgir no universo, seria simples talvez bactérias, mas jamais seria inteligente, a inteligência seria possivelmente criação Divina. Hoje, a maioria dos cientistas tem certeza que em até 20 anos, descobriremos formas de vida animal em algum exoplaneta.
          Como nosso amável Agente K disse, que certezas teremos amanhã? Será que daqui a 500 ou 600 anos teremos certeza que existem seres tão inteligentes, ou mais inteligentes que nós? Assim como hoje sabemos que a Terra não é o centro do Universo e que ela não é chata, saberemos que somos só mais uma civilização?
          Como eu sempre digo, gosto da ciência porque ela não é dogmática, ela permite se corrigir com novas provas, novos conhecimentos, o que era certeza ontem, hoje é motivo de graça, o que é certeza hoje, pode se mostrar amanhã uma piada. Mas assim vamos aumentando nosso conhecimento, nosso entendimento do mundo e do universo, essa é a função do cientista, entender como as coisas realmente são.
          Hoje, ainda acreditamos ser uma piada que hipotéticos seres inteligentes de outros planetas possam vir até a Terra, ainda temos certeza que todo relato de contato alienígena tem uma explicação que passa longe de visitas de outros planetas. Mas que certezas teremos amanhã? Será mesmo que é tão impossível assim que seja verdade?
          Imaginem uma coisa, nessa nossa recente busca por planetas fora do sistema solar, e também na crescente idéia dos cientistas que é mais do que certo que existam animais vivendo em alguns deles. Se isso se comprovar verdade, não iríamos tentar verificar isso? Inicialmente através de naves robôs como as que estão em Marte, e quando a tecnologia permitisse, não iríamos querer ir pessoalmente estudar e conhecer esse novo planeta? E nesse caso, não seriamos nós os ET´s invadindo o planeta desses hipotéticos seres?
          Extrapolando essa possibilidade, se existir uma civilização inteligente, que tenha conseguido crescer bem antes de nós, e em sua própria busca de conhecimento encontrado a Terra, não poderiam eles buscar aqui o que hoje estamos tentando encontrar lá fora? Não fariam eles o mesmo que nós tentamos fazer? Podemos realmente dizer que temos certeza que não existe contato alienígena na Terra?
          Na verdade, essas respostas virão apenas com o tempo e com muito estudo, existe ainda a possibilidade de sermos realmente os únicos seres inteligentes do universo, o que seria um grande desperdício de espaço na minha opinião, mas hoje ainda não podemos afirmar nada.
          Escrevi um longo texto sobre esse assunto, pontuando como novas descobertas cientificas apontam para a possibilidade do contato alienígena ser real, em outro post mais tarde colocarei o link, para que possam entender melhor meu ponto de vista.
          Por enquanto, vou terminando, mas quero deixar aqui um pedido, apesar desse pequeno e descompromissado espaço estar recebendo uma quantidade razoável de visitas, os comentários andam meio murchos né! :-) Assim, eu peço que se descordarem do que leram aqui, que comentem, se não vou acabar achando que todo mundo concorda comigo!!! O que com certeza não é verdade, e para até mesmo que eu possa rever alguns ponto de vista e assim também crescer e aprender, seria legal que quem discordasse, colocasse sua opinião nos comentários.
          E quem gostou, favor espalhar para os amigos! Assim mais gente vai poder comentar sobre o assunto, e é claro, se quiser elogiar nos comentários... quem não gosta de ser elogiado né! :-)
  • criado por  PRA criado por PRA
  • Postado em 10:19:41

22.05.07

Você já perguntou Por Que? Continuação


Favor não ler este texto antes do anterior!!!

          - Eu sei como é isso meu neto! Meu finado marido também adorava cabeça de peixe! Mas sei exatamente de onde minha filha tirou essa idéia. Quando ela era pequena e morava aqui, a gente era muito pobre, não tinha muitas coisas, a única forma que eu tinha em casa, era muito pequena, então para fazer o peixe, eu sempre cortava a cabeça e o rabo, assim cabia direitinho. E guardava a cabeça para fazer para meu marido mais tarde, deixando meus filhos com a parte melhor.
          - Desculpa, mas a senhora nunca explicou isso para sua filha?
          - Ela nunca perguntou! Se tivesse perguntado pra mim se podia assar peixe com cabeça, eu diria que sim, mas como nunca perguntou, acho que ela apenas copiou o que eu fazia!.
          Depois de uma tarde de conversas e de finalmente ter comido um peixe completo, com cabeça e tudo, preparado pela Avó de sua esposa, que aproveitou para ensiná-la como fazer o peixe, voltou pra casa contente com o problema resolvido.
          Fechando o parêntese, de forma exagerada é claro, essa pequena parábola mostra como costumamos nos apegar a tradições sem entendê-las, sem questioná-las, sem saber se quer se fazem algum sentido. Apenas tem que ser feito, porque é assim que se faz e pronto, sempre foi assim e deve continuar assim.
          Por isso um Corintiano deve odiar um Palmeirense (e vice-versa), não sabe o porquê, mas tem que odiar. Os meninos da rua de baixo tem que brigar com os da rua de cima. A escola X tem que ser contra a escola Y. E muitos outros exemplos que existem, basta observar quantas coisas fazemos sem saber o porquê, que poderiam ser feitas de maneira diferente, melhores, mas não mudamos as tradições.
          Pode ser que tenha, e acho que até tem, um motivo no passado que justificou a atitude, mas hoje, nem sabemos que motivo é esse, nem se ele é valido, ainda assim continuamos fazendo coisas que podem ser até prejudiciais, como no artigo que li: http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI1633085-EI294,00.html , pessoas que dão mais valor a tradições do que a vida humana? Alguma coisa não está certa.
          Essa tradição do dote é só uma entre milhares que existem, que são impostas sem lógica, sem explicação, apenas porque é assim que tem que ser, é assim que é certo, sempre foi assim então tem que estar certo. Esse comportamento, como demonstrei, parece ser mesmo um padrão no ser humano, se apegar a dogmas, tradições, costumes, sem questionar, sem validar, apenas seguir,
          O que me deixa cabreiro mesmo, é o motivo por que fazemos isso? Porque é mais fácil seguir algo que é claro que é prejudicial, ao invés de questionar?
          Medo de ser diferente? Medo de estar errado? Vontade de fazer parte de algo maior? Preguiça para questionar? Medo de ser castigado? Todas as alternativas acima batidas no liquidificador e puxado no molho de manteiga? Não sei, mas sei que menos pessoas sofreriam, menos guerras existiriam, se antes de tomar qualquer decisão, a gente parasse e perguntasse “Por que?”, e fosse proibido responder, “Porque tem que ser”, “Porque é assim” e coisas parecidas.
          Curiosamente, é na religião que é pregado “A verdade libertará”, mas infelizmente, o povo não está interessado na verdade, ninguém busca a verdade, apenas querem estar do lado vencedor, apenas querem seguir sem questionar, ficar do lado seguro e tranqüilo das tradições e esquecer a turbulência do questionamento e das novas descobertas.
          E assim caminha a humanidade.
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  • Postado em 11:15:51

Você já perguntou Por Que?

          Eu costumo sempre dizer, que a humanidade não deixa de me surpreender, é certo que existe uma infinidade de culturas neste mundo, que apesar de sermos fisicamente quase idênticos, de representarmos uma mesma espécie; nossa diferença cultural, nossa diferença de pensamento, nossa forma de encarar a vida; é de uma diversidade que talvez não tenha igual na natureza.
          E sinceramente não acho que isso seja ruim, a cultura particular de cada povo ajuda a compor o quadro belo que é nosso planeta, ser diferente é muito melhor e mais legal que ser igual, uma copia cinza uns de outros, essas diferenças ajudam a dar colorido, novidade, gosto e sabores a nossa espécie.
          Mas tem que existir alguma coisa errada, quando essas mesmas diferenças passam a machucar e prejudicar, quando por causa de uma tradição, pessoas sofrem mesmo achando errado e não querendo, quando uma tradição passa a ser um fardo e não um diferencial cultural?
          Vou abrir um parêntese aqui nas minhas divagações, para contar uma antiga e manjada historinha daquelas que são passadas há décadas, antes por carta, depois por e-mail e depois por animações, mas que acho deve se encaixar bem como exemplo do que pretendo dizer:
          Um rapaz, recém casado, adorava comer peixe, tinha um gosto especial por cabeça de peixe(sei que é estranho, mas tem gente que gosta mesmo!). Um dia, voltando do trabalho, comprou um grande peixe, chegando em casa, pediu para a sua esposa que preparasse o peixe para o dia seguinte.
          Quando chegou no outro dia, não via a hora de experimentar o tão esperado peixe, sentou-se a mesa do jantar já com água na boca, quando sua esposa tira a tampa da forma do peixe, ele abre a boca de decepção, estava feito ali o mais belo e saboroso peixe, mas sem cabeça e sem rabo.
          - Amor, desculpa perguntar, mas aonde estão a cabeça e o rabo do peixe? – Ele esperava que estivessem em algum lugar que não estivesse ao alcance dos olhos.
          - Oras, como assim? Eu tirei pra fazer o peixe, como deve ser feito, tirei e joguei fora.
          - Como assim digo eu! Eu adoro comer cabeça de peixe, como se prepara um peixe sem cabeça, justo a melhor parte!
          - Não senhor, peixe não pode ser assado com cabeça! Qualquer um sabe disso!
          - Qualquer um que não seja alguém que eu conheço, pois eu sempre comi cabeça de peixe, quem te ensinou a fazer peixe sem cabeça?
          - Pois saiba que em casa, sempre se preparou peixe assim!
          Não conformado com essa explicação nosso jovem já convencido de que não comeria cabeça de peixe naquele dia, resolve ligar para sua sogra e perguntar de onde veio aquela idéia de assar peixe sem cabeça. Com todo cuidado, como deve ter um recém casado com sua sogra, ele chega ao assunto do peixe decapitado, e escuta de uma conciliadora sogra:
          - Meu filho, essa duvida é porque você é muito novinho, ainda não entende, são coisas de culinária, coisas que se aprende com a vida, peixe assado não se pode fazer com cabeça e rabo, isso sempre foi assim, em casa sempre aprendemos assim, você vai entender com o tempo.
          Decidido a não esperar o tempo para entender, resolve fazer uma visita a avó de sua amada degoladora de peixes, deixou para o final de semana, pois a velinha morava no interior, numa fazenda bem velha, afastada da cidade.
          Chegando lá, já impaciente com a coisa toda, nem espera a Vovó abrir direito a porta, já vai logo dizendo pra que veio, e assim que a cumprimentou, desfilou toda a história do peixe sem cabeça e como a filha e a neta dela achavam um absurdo assar a cabeça que ele tanto gostava, queria muito saber porque peixe tinha que ser assado sem cabeça.
          Assim que ele termina de contar tudo, repara que a avó está sorrindo abertamente, ele novamente desanimado, já esperando ela desfilar o mesmo sermão de sua sogra, de como ele era inexperiente na arte da cozinha, que não poderia saber como se prepara corretamente um peixe, mas para sua surpresa:
  • criado por  PRA criado por PRA
  • Postado em 11:10:52