Favor não ler este texto antes do anterior!!!
- Eu sei como é isso meu neto! Meu finado marido também adorava cabeça de peixe! Mas sei exatamente de onde minha filha tirou essa idéia. Quando ela era pequena e morava aqui, a gente era muito pobre, não tinha muitas coisas, a única forma que eu tinha em casa, era muito pequena, então para fazer o peixe, eu sempre cortava a cabeça e o rabo, assim cabia direitinho. E guardava a cabeça para fazer para meu marido mais tarde, deixando meus filhos com a parte melhor.
- Desculpa, mas a senhora nunca explicou isso para sua filha?
- Ela nunca perguntou! Se tivesse perguntado pra mim se podia assar peixe com cabeça, eu diria que sim, mas como nunca perguntou, acho que ela apenas copiou o que eu fazia!.
Depois de uma tarde de conversas e de finalmente ter comido um peixe completo, com cabeça e tudo, preparado pela Avó de sua esposa, que aproveitou para ensiná-la como fazer o peixe, voltou pra casa contente com o problema resolvido.
Fechando o parêntese, de forma exagerada é claro, essa pequena parábola mostra como costumamos nos apegar a tradições sem entendê-las, sem questioná-las, sem saber se quer se fazem algum sentido. Apenas tem que ser feito, porque é assim que se faz e pronto, sempre foi assim e deve continuar assim.
Por isso um Corintiano deve odiar um Palmeirense (e vice-versa), não sabe o porquê, mas tem que odiar. Os meninos da rua de baixo tem que brigar com os da rua de cima. A escola X tem que ser contra a escola Y. E muitos outros exemplos que existem, basta observar quantas coisas fazemos sem saber o porquê, que poderiam ser feitas de maneira diferente, melhores, mas não mudamos as tradições.
Pode ser que tenha, e acho que até tem, um motivo no passado que justificou a atitude, mas hoje, nem sabemos que motivo é esse, nem se ele é valido, ainda assim continuamos fazendo coisas que podem ser até prejudiciais, como no artigo que li: http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI1633085-EI294,00.html , pessoas que dão mais valor a tradições do que a vida humana? Alguma coisa não está certa.
Essa tradição do dote é só uma entre milhares que existem, que são impostas sem lógica, sem explicação, apenas porque é assim que tem que ser, é assim que é certo, sempre foi assim então tem que estar certo. Esse comportamento, como demonstrei, parece ser mesmo um padrão no ser humano, se apegar a dogmas, tradições, costumes, sem questionar, sem validar, apenas seguir,
O que me deixa cabreiro mesmo, é o motivo por que fazemos isso? Porque é mais fácil seguir algo que é claro que é prejudicial, ao invés de questionar?
Medo de ser diferente? Medo de estar errado? Vontade de fazer parte de algo maior? Preguiça para questionar? Medo de ser castigado? Todas as alternativas acima batidas no liquidificador e puxado no molho de manteiga? Não sei, mas sei que menos pessoas sofreriam, menos guerras existiriam, se antes de tomar qualquer decisão, a gente parasse e perguntasse “Por que?”, e fosse proibido responder, “Porque tem que ser”, “Porque é assim” e coisas parecidas.
Curiosamente, é na religião que é pregado “A verdade libertará”, mas infelizmente, o povo não está interessado na verdade, ninguém busca a verdade, apenas querem estar do lado vencedor, apenas querem seguir sem questionar, ficar do lado seguro e tranqüilo das tradições e esquecer a turbulência do questionamento e das novas descobertas.
E assim caminha a humanidade.